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Fibrilhação auricular: como identificar no ECG de forma rápida

Aprenda a identificar a fibrilhação auricular no monitor cardíaco com dicas práticas para profissionais de saúde. Melhore a precisão na leitura do ECG.

Equipa clínica My ECG Academy Publicado a Revisto a 3 min de leitura

Como identificar a fibrilhação auricular no monitor?

A fibrilhação auricular (FA) identifica-se pela ausência de ondas P organizadas, substituídas por atividade elétrica irregular da linha de base, e por um ritmo ventricular caracteristicamente irregular. A irregularidade dos intervalos R-R, sem um padrão repetitivo, é o achado clínico mais fiável para o reconhecimento imediato à cabeceira do doente.

Quais as dicas práticas para confirmar o diagnóstico?

Perante um ritmo irregular no monitor, siga estes passos para confirmar a FA:

  • Aumente o ganho: Se a atividade auricular for muito ténue, o aumento do ganho do sinal pode revelar a presença de ondas f (fibrilhação) de baixa amplitude.
  • Altere a velocidade: Mude o monitor para 50 mm/s. Esta manobra expande o traçado horizontalmente, facilitando a visualização da irregularidade entre os complexos QRS.
  • Imprima uma tira de ritmo: A medição manual dos intervalos R-R com uma régua de ECG ou compasso é superior à estimativa visual. Se os intervalos forem consistentemente diferentes, a hipótese de FA ganha peso.
  • Observe o traçado ao lado: O simulador ao lado apresenta um exemplo típico de FA. Note como a linha de base é instável e como a cadência ventricular é caótica, sem qualquer padrão de regularidade.

Como se distingue de um flutter auricular?

O flutter auricular apresenta ondas de flutter (ondas F) em dente de serra, tipicamente a uma frequência de 300 por minuto, com uma condução que pode ser fixa ou variável. A FA, pelo contrário, não apresenta esta organização geométrica na linha de base.

CritérioFibrilhação AuricularFlutter Auricular
Ondas auricularesAusentes (ondas f)Presentes (ondas F)
RegularidadeIrregularRegular ou variável
MorfologiaCaóticaDente de serra

Quais as armadilhas de leitura mais comuns?

A principal armadilha é confundir a FA com uma taquicardia supraventricular (TSV) com condução aberrante ou bloqueio de ramo. A presença de um QRS largo não exclui FA; se o ritmo for irregular, a FA com bloqueio de ramo ou pré-excitação é mais provável do que uma TSV pura. Outra falha comum é ignorar a FA de baixa resposta ventricular, onde a frequência é normal ou baixa, levando o clínico a assumir um ritmo sinusal apenas pela frequência cardíaca, ignorando a ausência de ondas P.

Qual a conduta perante a identificação?

A identificação de FA exige a avaliação da estabilidade hemodinâmica do doente. Segundo as recomendações em vigor, a decisão terapêutica depende do contexto clínico, da duração da arritmia e do protocolo local. A prioridade é sempre a estabilização do doente e a exclusão de causas reversíveis, como desequilíbrios eletrolíticos ou isquemia miocárdica aguda.

Referências

  • ESC Guidelines for the diagnosis and management of atrial fibrillation
  • Advanced Cardiovascular Life Support (ACLS) Provider Manual

Perguntas frequentes

A fibrilhação auricular é sempre uma emergência?

Não necessariamente. A gravidade depende da estabilidade hemodinâmica do doente e da frequência ventricular. Deve ser sempre avaliada, mas a urgência da intervenção é ditada pela presença de sinais de choque ou isquemia.

O que fazer primeiro ao detetar FA no monitor?

Avalie o doente antes de tratar o monitor. Verifique o pulso, a pressão arterial e o estado de consciência para determinar se a arritmia está a comprometer a perfusão sistémica.

Posso confundir FA com extrassístoles frequentes?

Sim, é possível. As extrassístoles são batimentos prematuros isolados num ritmo de base, enquanto na FA não existe um ritmo de base organizado. A medição dos intervalos R-R ajuda a distinguir um ritmo caótico de um ritmo sinusal com extrassístoles.

Este artigo é material de formação, não é orientação clínica. As condutas dependem do contexto do doente e do protocolo em vigor no seu serviço. Não substitui formação certificada nem juízo clínico.

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