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Ritmos

Atividade elétrica sem pulso: diagnóstico e gestão clínica

Compreenda a natureza clínica da atividade elétrica sem pulso, aprenda a identificar este ritmo organizado sem débito e a sistematizar as causas reversíveis.

Equipa clínica My ECG Academy Publicado a Revisto a 3 min de leitura

O que define a atividade elétrica sem pulso?

A atividade elétrica sem pulso (AESP) é um diagnóstico clínico caracterizado pela ausência de pulso palpável em doentes que apresentam um ritmo elétrico organizado no monitor. Não se trata de uma entidade eletrocardiográfica específica, mas de uma dissociação entre a atividade elétrica cardíaca e a contração mecânica eficaz.

Ao observar o traçado no monitor ao lado, verifica-se um ritmo que, em condições normais, seria perfusivo. No entanto, a ausência de débito cardíaco torna este ritmo uma paragem cardíaca não desfibrilhável, exigindo compressões torácicas imediatas e a procura ativa de causas subjacentes.

Como identificar a AESP no monitor e no doente?

O reconhecimento baseia-se na verificação sistemática da ausência de pulso central em qualquer ritmo organizado. O erro comum é confiar na morfologia do ECG, assumindo que um complexo QRS estreito ou um ritmo sinusal implica, obrigatoriamente, perfusão periférica.

A oximetria de pulso perde a sua utilidade imediata, pois a ausência de onda de pletismografia é um sinal precoce de perda de débito. A pressão arterial invasiva, se disponível, mostrará uma linha plana ou uma pressão de perfusão insuficiente, confirmando a falência mecânica do miocárdio.

AchadoEstado na AESP
Ritmo no monitorOrganizado (sinusal, juncional, idioventricular)
Pulso centralAusente
PletismografiaAusente
Conduta inicialCompressões torácicas e suporte ventilatório

Quais são as causas reversíveis (4H e 4T)?

A gestão da AESP depende da identificação rápida das causas reversíveis, frequentemente categorizadas como 4H e 4T. A reanimação deve ser mantida enquanto se investiga a etiologia, segundo as recomendações em vigor.

  • Hipovolémia: Frequentemente por hemorragia oculta ou desidratação severa.
  • Hipóxia: Verificar a permeabilidade da via aérea e a oxigenação.
  • Hipo/Hipercaliémia e distúrbios metabólicos: Avaliar história clínica e gasometria.
  • Hipotermia: Considerar o contexto ambiental.
  • Tensão (Pneumotórax hipertensivo): Procurar desvio traqueal ou assimetria de murmúrio vesicular.
  • Tamponamento cardíaco: Avaliar turgência jugular e abafamento de sons cardíacos.
  • Toxinas: Investigar ingestão de fármacos ou exposição a agentes químicos.
  • Trombose (Coronária ou Pulmonar): Considerar o contexto de dor torácica ou dispneia súbita.

Como distinguir a AESP de outros ritmos?

A principal armadilha é confundir a AESP com ritmos de perfusão lenta ou com artefactos de monitorização. Um ritmo idioventricular lento pode ser confundido com AESP, mas a regra é clara: se não há pulso palpável, o tratamento é o protocolo de paragem cardíaca, independentemente da morfologia do QRS.

A presença de atividade elétrica não garante a viabilidade miocárdica. A monitorização contínua deve focar-se na qualidade das compressões e na reavaliação periódica do ritmo, garantindo que não ocorre uma transição para um ritmo desfibrilhável, como a fibrilhação ventricular.

Referências

  • European Resuscitation Council Guidelines
  • Advanced Life Support (ALS) Manual

Perguntas frequentes

A AESP é sempre um ritmo lento?

Não. A AESP pode apresentar-se com qualquer ritmo organizado, incluindo ritmos sinusais com frequência normal ou taquicardias. O fator determinante não é a frequência, mas a ausência de pulso palpável.

O que fazer primeiro perante uma AESP?

O primeiro passo é iniciar compressões torácicas de alta qualidade e assegurar a via aérea. A procura das causas reversíveis deve ocorrer em paralelo com a reanimação cardiopulmonar, seguindo os protocolos locais.

A AESP pode ser confundida com artefactos?

Sim. Movimentos do doente ou falhas nos elétrodos podem simular ritmos organizados no monitor. A verificação clínica do pulso e a observação do doente são essenciais para descartar artefactos.

Este artigo é material de formação, não é orientação clínica. As condutas dependem do contexto do doente e do protocolo em vigor no seu serviço. Não substitui formação certificada nem juízo clínico.

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